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Alfabetização e Educação  Não Formal e os Meios de Sustento 

Existe uma conexão direta entre o nível econômico de um país e a taxa de alfabetização de sua população. O estudo PISA sobre as taxas de alfabetização nos países da OCDE demonstra esta conexão.

 

"Todas as pessoas possuem o direito fundamental de engajar num trabalho e num modo de sobrevivência digno, nisto está subentendido o acesso à terra e a recursos produtivos, e às proteções trabalhistas justas. " (Direito do Homem aos meios de sobrevivência e à terra). (Em Inglês). Extraído do Web a 30 de junho de 2001: http://www.pdhre.org/rights/land.html 

O Programa de Treinamento de Base (Grassroots Management Program) do Instituto do Banco Mundial teve início em 1990 englobando 10 países oferecendo treinamento em gestão comercial. Durante sua implementação o programa teve de atender às demandas dos participantes para receber um ensino mais sistemático de aritmética, escrita e leitura (Filion & Renaud, 1997) . Este tipo de ensino é geralmente conhecido como segunda abordagem da alfabetização. A educação contínua de adultos é sem duvida o elemento mais importante na melhoria dos do sustento e da qualidade de vida. http://www.worldbank.org/wbi/review/review_grass_Jul95.html

 


Aprendizagem permanente

 

Numa sociedade em constante mudança, as habilidades necessárias para determinado trabalho também mudam. É necessário que os adultos e jovens tenham onde adquirir os novos conhecimentos e habilidades para poder acompanhar estas mudanças.
Além disso, uma vez que muito dos trabalhadores em todo o mundo pertencem ao setor informal, é importante que adquiram habilidades que possam utilizar prontamente na sua vida diária. Alguns dos benefícios dos programas de Alfabetização e de Educação Não Formal são: 

  • Fornecer os conhecimentos e habilidades fundamentais de leitura, escrita e cálculo para obtenção de um emprego.
  • Ajudar na adaptação ao novo ambiente de trabalho. Por exemplo, quando participam das aulas noturnas, os adultos aprendem a trabalhar em grupos e assim adquirem na prática habilidades de comunicação eficiente, liderança e gerenciamento, e contabilidade.
  • Oferecer também a oportunidade de atualização das habilidades profissionais tais como o uso das novas tecnologias de informação e de comunicação, tecnologias agropecuárias mais recentes e engenharia.
  • Permitir que as pessoas trabalhem mais produtivamente e desta maneira tornem-se mais confiantes, mais envolvidas em tomadas de decisão em grupo, usem mais linhas de crédito para investir na melhora da renda, e são mais ativas na promoção de seus produtos. (Windham,1999; Project Burkina Faso)


Em soma, os programas de alfabetização e educação  não formal  fornecem os pilares para evitar a exclusão e lutar contra a pobreza. Portanto programas de alfabetização são parte do investimento no capital humano de cada país. Os conhecimentos e as habilidades adquiridas para o trabalho permitem as pessoas buscar uma estratégia de sobrevivência, e esta dinâmica pode também gerar um capital financeiro e social.

 

 


 

 

Educação Vocacional e Treinamento
 

A Educação  Vocacional e Treinamento são meios de fornecer aos trabalhadores habilidades mais relevantes às mudanças das necessidades  e da economia.  O Banco Mundial trabalha  em conjunto com os governos  para desenvolver  sistemas de treinamento eficientes em termos de economicidade e eqüitativos, além de fornecer  conselhos sobre políticas a apoio às reformas de educação vocacional e treinamento  no sub setor . 
 

Country Studies (Estudos dos Países): este conjunto de sumários dos países e trabalhos sobre educação vocacional e treinamento é baseado em um estudo conjunto do Banco Mundial e do Gabinete Internacional do Trabalho (ILO) intitulado "Skills and Change: Constraints and Innovation in the Reform of Vocational Education and Training." (Habilidades e Mudanças: Restrições e Inovações na Reforma da Educação Vocacional e Treinamento) http://wbln0018.worldbank.org/HDNet/hddocs.nsf/2d5135ecbf351de6852566a90069b8b6/cd6702f5b592bb0785256a6b006d8361?OpenDocument


Destaque especial: Vocational Skills Development in Sub-Saharan Africa
Esta série de estudos faz uma revisão do estado do desenvolvimento das habilidades na África Subsaariana, 10 anos apos a publicação da pesquisa do Banco Mundial;neste assunto.Vocational and Technical Education and Training: A World Bank Policy Paper." (6.88MB PDF) Educação  Vocacional e Técnica e Treinamento.

 

Para maiores detalhes consulte a página do Banco Mundial em Educação Vocacional e Treinamento

 

 


 

 

Meios de sustento

 

 

Os adultos educados geralmente encontram-se em uma posição melhor para ter uma vida confortável. Numa pesquisa internacional recente, constatou-se que as pessoas com maior educação recebem maior renda. (Dévelopemment de ressources humaines, Canada,1999. Faits saillants du deuxiéme rapport de l'Enquête internationale sur l'alphabetisation des adultes : Littératie et Societé du Savoir.) (Em Francês). Extraído do Web a 20 de abril de 2001.

 

 

Meios de Sustento - Quadro teórico:
 

 

O Quadro Teórico sobre Meios de Sustento produzido pelo DFID fornece uma abordagem que relaciona alfabetização, as necessidades de capital humano e os meios de sustento. Esta abordagem enfatiza modificações nas práticas institucionais, indica um novo programa de gestão de conhecimento, e um estreitamento de parcerias entre as organizações. Os principais conceitos desta abordagem são:

  • A literacia pode ser um veiculo eficiente para a potencializarão de indivíduos e redução da pobreza 
  • O conceito de literacia deve ser ampliado para estratégias de comunicação e de informação 
  • As estratégias de comunicação e informação não pertencem somente ao setor educacional mas devem ser incluídas em outras abordagens mais amplas de desenvolvimento


Report on Literacy for Livelihoods: DFID Conference. Relatório sobre Alfabetização para Meios de Sustento: Conferência DFID, Nepal, 4-6 de Dezembro, 2000.

 

 

 

Abordagens e Experiências para Melhorar os Meios Sustento  (Sumário em Português)

 

No estudo Skills and Literacy Training for Better Livelihoods - A Review of Approaches and Experiences. (Treinamento em Habilidades e Alfabetização para Melhorar os Meios de Sustento) conduzido por Oxenham, Diallo, Katahoire, Petkova-Mwangi & Sall.(2001) da Região da ÁFRICA do Banco Mundial os autores basearem-se na perspectiva da educação vocacional  dentro do contexto de educação para todos e pretende utilizar os documentos disponíveis para comparar e avaliar a eficiência  de dois tipos de programas de educação e treinamento para adultos:

 

(a)     programas  que têm procurado incorporar  treinamento para melhorar as habilidades profissionais ou de meios de sustento dentro do ensino de alfabetização, e

(b)     programas que incorporaram alfabetização no treinamento cujo objetivo geralmente é de melhorar as habilidades para o sustento.

 

Abordagem do estudo

 

A tarefa principal do estudo foi de examinar duas abordagens amplas que combinam treinamento para um trabalho ou meio de sustento com alfabetização. Uma abordagem visa enriquecer um programa concentrando em meios de sustento com componentes de cálculo, escrita e leitura.  A outra é de enriquecer um programa de alfabetização com treinamento para um ou vários meios de sustento.  Rogers (1997) desenvolveu um quadro teórico baseado nestas duas abordagens no qual são descritas cinco sub-categorias, que foram utilizadas neste estudo. São elas:

 

  1. Alfabetização como pré- requisito  ou em preparação para o treinamento sobre sustento ou atividades que geram renda. Em outras palavras, o treinamento para um trabalho é um objetivo a longo prazo, mas as pessoas são motivadas a começar o treinamento somente após ter primeiro dominado a escrita, a leitura e o cálculo a um nível suficiente  para que  possam lidar com os requisitos de operação e desenvolvimento da profissão. Há uma progressão planejada entre estes dois aspecto.
  2. Alfabetização seguida separadamente de outras atividades de sustento ou que geram renda.Neste caso ser alfabetizado é considerado como o principal  e único objetivo que deve ser atingido em primeiro lugar.  Em seguida, o treinamento é oferecido ou sobre meios de sustento ou sobre outras atividades que geram renda. Não existe uma conexão sistemática entre os dois componentes.

  3. Treinamento em meios de sustento ou atividades que geram renda que leva à alfabetização. Nesta sub-categoria,  os grupos começam aprendendo como iniciar um negócio mas chegam a reconhecer que  a menos que aprendam a calcular de forma mais abrangente, a registrar suas rendas e despesas e a ler seus registros, ficarão frustrados com a falta de progresso. O conteúdo  de literacia e numeracia ultrapassa o contexto dos meios de sustento e  de geração de renda.

  4. As atividades de sustento e de geração de renda e alfabetização são integradas. Nesta sub-categoria, o treinamento em uma profissão e o ensino de literacia e numeracia começam simultaneamente. Geralmente o conteúdo de alfabetização é derivado dos meios de sustento ou influenciado pelos mesmos.

  5. Alfabetização, meios de sustento e atividades que geram renda são oferecidos paralelamente, mas de forma separada.  Os programas nesta sub-categoria reconhecem a importância de ambos os componentes, começam com ambos simultaneamente, mas deixam de desenvolver quaisquer conexões sistemáticas uns com os outros.

 

As duas primeiras sub-categorias se encaixam com os programas liderados pela alfabetização, a terceira e quarta se encaixam dentro dos programas liderados pelos meios de sustento, enquanto que os programas da quinta categoria dependerão de como foram originados e qual o foco escolhido.

 

Resumo dos resultados

 

1. Em todos os países estudados, devido à variedade das possibilidades de melhorar os meios de sustento já estabelecidos assim como de desenvolver outros novos parece ser tão ampla que,  conseqüentemente, é necessário haver extrema flexibilidade, imaginação e disponibilidade de recursos.

 

2. Todos os programas examinados lidaram com pessoas muito pobres, na sua maioria vivendo na zona rural e a maioria mulheres.

 

3. Foram encontrados exemplos de iniciativas que produzem bons resultados em cada uma das cinco sub-categorias. Para que haja a possibilidade de alcançar o sucesso nos dois objetivos imediatos, devem ser satisfeitas as seguintes condições: primeiro, o programa deve funcionar bem,  com instrutores competentes, confiáveis e que recebem apoio adequado; e segundo,  o programa deve ser bem adaptado aos interesses e condições de seus participantes.

   

4. Os programas de treinamento e de educação para os adultos muito pobres devem oferecer razões bem claras, concretas e imediatas para justificar a matrícula nestes programas e assegurar a perseverança de seus participantes.

 

5. Os programas que se iniciam com treinamento em habilidades de sustento parecem ter maior chance de serem bem sucedidos, pois possuem uma razão imediata para a aprendizagem.

 

6. As organizações que se preocupam mais com os meios de sustento e com outros aspectos  do desenvolvimento parecem estar melhor capacitadas para  desenhar e implementar  combinações eficientes entre os meios de sustento e a alfabetização do que as organizações que estão mais focalizadas em educação. Os projetos dirigidos pelas ONGs  que integram desenvolvimento e alfabetização parecem ser os mais eficazes. Isto implica que a política para educação  em meios de sustento combinada com alfabetização deve ser implementada  pelas agências tanto governamentais quanto não governamentais, que trabalham com pessoas nos seus meios de sustento e emprego atuais.

 

7. As ONGs parecem ser mais flexíveis do que as agências governamentais ao atender às necessidades locais ou às mudanças destas necessidades.  Os fazedores de política  para a educação vocacional/meios de sustento devem considerar ambos: (a) fortes alianças com ONGs e (b)  formas de organização governamental que permitem que os escritórios locais possam ter a autoridade com a devida responsabilidade para desenvolver a flexibilidade necessária.

 

8. Derivar o conteúdo de literacia/numeracia a partir dos meios de sustento e integrá-lo com o treinamento em meios de sustento desde o início do programa parecer ter mais chance de sucesso do que oferecer os dois componentes paralelos uns aos outros ou utilizar materiais padrão de alfabetização para preparar as pessoas para o treinamento em meios de sustento.

 

9. Programas meios de sustento em conjunto com literacia/numeracia podem aumentar muito as suas chances de sucesso, se incorporarem treinamento em poupança, crédito, e em gestão de negócios, juntamente com o acesso ao crédito.

 

10. As chances de sucesso são ainda maiores em um programa que trabalha com grupos estabelecidos de pessoas que compartilham de um objetivo comum, do que com participantes que se matriculam  individualmente. Na falta de tais grupos, talvez fosse ainda melhor levar algum tempo para identificar possíveis objetivos comuns e trabalhar em formar novos grupos. 

 

 

A mulher e o trabalho

 

 

As mulheres geralmente constituem a maior parte da população alvo dos programas de alfabetização e educação não formal; porque tendem a receber salários mais baixos e a trabalhar em serviços temporários. Elas geralmente recebem menos educação e menos treino do que seus colegas homens, e como resultado não são respeitadas ou bem representadas profissionalmente. Neste contexto, a educação de adultos pode oferecer oportunidades para que as mulheres sejam melhor treinadas para agir no seu ambiente de trabalho. (UNESCO Institute for Education (UEI) 1997. (Em Espanhol) Extraído do Web a 30 de junho de 2001: http://www.unesco.org/education/uie/confintea/pdf/4a_span.pdf 

A pesquisa de Blunch e Verner (2000) demonstra que a alfabetização funcional é sem dúvida um pré-requisito para a entrada no mercado de trabalho. Isto fica comprovado uma vez que a volta à escola normalmente acontece somente para escolas técnicas e vocacionais. Este é mais um dos motivos pelos quais a alfabetização e educação básica deve incluir mulheres e famílias pobres, principalmente na área rural.

 

 

Os casos de Bangladesh, El Salvador e Uganda

 

 

Uma avaliação dos três projetos REFLECT de Alfabetização de Adultos em Bangladesh, El Salvador e Uganda examinou a conexão entre educação básica e gestão de recursos (aumento da produtividade utilizando os recursos disponíveis). Levantamentos nos 3 países indicaram que como conseqüência da educação adquirida, os adultos participantes repensaram e melhoraram o uso da terra, da água, das colheitas e de seus recursos financeiros. Este são alguns exemplos do impacto de REFLECT:

  • Em Bangladesh as mulheres começaram a utilizar seu domínio básico de aritmética para gerir suas próprias cadernetas - um objetivo importante para os comitês. Elas também aumentaram sua produtividade, ao terem maior controle sobre seus empréstimos e investindo mais eficazmente. 
  • Em EL Salvador os participantes de REFLECT informaram sobre os avanços na aquisição de novos conhecimentos em assuntos de agricultura, saúde e recursos naturais. Uma ampla gama de ações locais foram iniciadas a partir dos círculos de alfabetização, incluindo: construção de celeiros, estabelecimento de viveiros de arvores e plantas medicinais, desenvolvimento de fertilizantes orgânicos, e acesso a formação a partir de fontes externas. Foi considerável também o aumento da participação dos adultos nas tomadas de decisões nas organizações comunitárias.
  • Em Uganda foi desenvolvida a capacidade de realizar ações coletivas, como por exemplo projetos agrícolas e de criação de animais, construção de escolas e estradas e, o desafio às tradições, tais como de distribuir 100% das boas colheitas - não deixando nada para armazenagem.

 

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Referências

 

  • Ágora - Segurança Alimentar e Cidadania
    http://www.agora.org.br/ 
    Ágora é uma organização da sociedade civil, que com recursos próprios e através de parcerias, desenvolve ações com projetos de ajuda alimentar, microcrédito, qualificação e requalificação profissional para jovens e adultos.
  • Archer, David & Sara Cottingham (1996) Action Research Report on REFLECT. The experiences of Three REFLECT Pilot projects in Uganda, Bangladesh, El Salvador. Serial No. 17. London, Overseas Development Administration.
  • Federação das Indústrias do Estado do Paraná - FIEP - Sistema-Brasil
    Está incluído neste site o Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos resultante da parceria entre as empresas da FIESP e SESI no Brasil com o objetivo de proporcionar maiores condições de empregabilidade aos trabalhadores.(Versões em Inglês e Espanhol) Extraído do Web a 20 de junho de 2001
    http://www.fiepr.com.br
  • Leonardos, Ana Cristina. (1999). Non-formal vocational training programmes for disadvantaged youth and their insertion into the world of work: towards a framework for analysis and evaluation
    Programas não formais de treinamento vocacional para jovens e sua inserção no mundo do trabalho:
    Este artigo examina como melhor preparar os jovens para o mercado de trabalho e quais as agências que foram mais bem sucedidas neste objetivo. Também é analisado quais as estratégias que parecem causar maior impacto ao encaminhar os jovens para o trabalho.
    Informação Bibliográfica: Artigo em IIEP Occasional Papers No.83 - 1999 - 43pp.
    Onde encontrar: Unesco - Instituto Internacional de Planejamento da Educação
    . (Em Inglês) http://www.unesco.org/iiep/english/pubs/recent/T8.htm
  • Saldanha, Denzil (2000) The Reflect Approach to Adult Education in India: Process and Policy Implications. Vol. I. Draft Report, Vol. II Appendices to the Draft Report. Mumbai, Tata Institute for Social Science. A Abordagem REFLECT na  Educação  de Adultos na India.  Pesquisa financiada por DfID, Nova Delhi.

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